sexta-feira, 21 de novembro de 2008

UMA BODEGA NO MATO, POUCA CIOSA É SORTIDA
I
Quem é um comerciante
Mora na zona rural
Na vila ou arraial
Veja só neste instante
Um verso interessante
E real em nossa vida
Pois aqui eu dou partida
Este é o puro retrato
Uma bodega no mato
Pouca coisa é sortida.
II
Só precisa uma caixa
De Aesse infantil
Um pacote de bombril
E um fardo de bolacha
Na frente com uma faixa
Que ali vende comida
Uma grade de bebida
E veneno para rato
Uma bodega no mato
Pouca ciosa é sortida.
III
Um fardo de rapadura
E um saco de feijão
Um pacote de sabão
Um saco de fava pura
Peixeira para a cintura
Com bainha colorida
A balança aferida
Com peso real de fato
Uma bodega no mato
Pouca coisa é sortida.
IV
Uma caixa de chiclete
Um pacote de confeito
Um balcão meio estreito
Um pacote de gilete
Algodão e contonete
Farinha velha e ardida
Cheio de conta perdida
De enganador ingrato
Uma bodega no mato
Pouca coisa é sortida.
V
Açúcar e sonrisal
Um pacote de kibom
Margarina e fumo bom
Sabonete e melhoral
Com um pacote de sal
E goma envelhecida
Maizena já vencida
No balcão dorme um gato
Uma bodega no mato
Pouca coisa é sortida.
VI
Água dentro da bacia
Para o copo lavar
Quando a cana tomar
No chão o cabra cuspia
O fedor me arrepia
A sujeira é sem medida
Uma vez só é varrida
De longe sente o olfato
Uma bodega no mato
Pouca coisa é sortida.

Brasília-DF, 21.08.2008
Ilton Gurgel, poeta.

5 comentários:

Nonato Gurgel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nonato Gurgel disse...

Acho que vc lembrou de tudo na bodega, primo. Parabéns!

canindé freitas disse...

Poeta, meus parabéns pela bodega, tudo que nos faz lembrar o sertão nos transporta para uma viagem no tempo.
Você já conhece o trabalho de Jessier Quirino?
Um caçuá de abraços e uma carga de muita paz e saúde para você e os seus.

Marcos Roberto - Prof. Marquinhos disse...

Amigo Ilton,
vc e seu trabalho poético faz bem a todos q têm acesso...
Obg p nos presentear sempre c o produto d sua inteligência!
Abços amigo...
depois acrescente: pavil de lamparina; um tambor de querozene c torneira; ratoeira, sandálias DuPé; cocorote (bolinho); funil; pano de estopa de saco; vassoura de palha; tubos de linhs variados e agulhas...
valeu
fik c Deus

Judson Gurgel disse...

Perfeito!